Home Data de criação : 08/06/27 Última atualização : 11/10/17 15:46 / 2 Artigos publicados

A RELAÇÃO FILOSOFIA / EDUCAÇÃO  escrito em sexta 04 julho 2008 16:01

educação, filosofia.

RESUMO: A filosofia entendida como reflexão e criação de conceitos faz melhor entender à criança, que é sujeito com quem o pedagogo vai debruçar, buscando compreendê-la com suas limitações, com suas situações econômicas e sociais para que assim se evite os erros pedagógicos. Também a compreensão do modo de educar, portanto educação, e como às vezes ela é entendida; e compreender a escola e sua estrutura assim como identificar e investigar melhor os objetivos propostos por ela e por seu papel atual, evitando o fracasso escolar. A relação, portanto da Filosofia / Educação.

 

 

 

 INTRODUÇÃO.

Este presente artigo pretende através de algumas reflexões estabelecer a relação entre a filosofia e educação. Com a indicação de Deleuze, onde a Filosofia é criação de conceitos, nos permite melhor compreender as coisas presentes no mundo em situações mensuráveis, portanto a realidade, assim como, faz melhor entender a educação e os aspectos que nela estão presente. Assim sendo, conhecer as coisas que estão em nossa volta, em especial as que estão no âmbito educacional, possa ser de maneira mais explorada e compreendida; e ainda buscar soluções para os problemas.

Refletir é o primeiro passo para criar conceitos. Saber refletir sobre o mundo e saber refletir também sobre a sala de aula – pensando agora na indicação de Marilena Chauí, em “Convite à Filosofia”, que diz a filosofia como reflexão. Refletir sobre as coisas mais evidentes e procurar melhorar as coisas do mundo. Influenciando na maneira de olhar para o mundo talvez para se tornar uma pessoa mais justa.

Assim sendo, a filosofia na educação tende a entender melhor o mundo, contribuir para novas informações – ligando agora a filosofia de Deleuze: criação de conceitos – para em seguida saber – fazer – entender para o mundo. Portanto, importante por influenciar uma nova visão do mundo para o mundo, compreendê-lo e solucioná-lo implicando na qualidade educacional.

 

Infância e Escola.

Quando se é criança é muito comum ouvir frases repetitivas, repressivas e de negação quando quer contar algo novo, ou que acabara de descobrir ou saber, para os pais ou para as pessoas com mais idade, por não ser lhes dada à atenção. As pessoas com mais idade acreditam que seus conhecimentos estão quase exauridos. Não querem ouvir o que a criança quer dizer por associar a ela imaturidade, incapacidade de usar a razão; e algumas vezes por não apresentar, na visão dos mais velhos, novidades ou algo que se faça refletir, raras as vezes que é feito o oposto. Contudo, “a infância é associada à imaturidade, à minoridade, e seria um estado do qual haveria que se emancipar para se tornar dono de si mesmo” (KOHAN. 2003. p.237).

Há momentos em que a criança está presente em outros ambientes e dele retira muitas informações, que a principio não os relaciona por ainda não ter a experiência, mas permanece na memória – e então inicia sua experiência. É difícil para muitos, e em especialmente para os educadores, em diversas situações, entender, ouvir e falar e considerarem a criança como um indivíduo que pensa e que age. “A minoridade é uma figura de incapacidade, da falta de resolução e da preguiça no uso das próprias capacidades intelectuais” (KOHAN. 2003. P.238). Pensando junto com Kohan, não está, a minoridade, ligada à criança, mas também em pessoas com mais idade.

Quem observa bem as crianças no seu dia a dia percebe que a minoridade é inadequada para caracterizá-las. As crianças algumas vezes percebem e expressam e dizem coisas com sentido muito lógico que comumente não foram percebidas, pensadas ou ditas por pessoas com mais idade. Vale ressaltar que isto se deve ao fato de que criança está desenvolvendo ainda a capacidade de pensamentos abstratos, ou seja, pensam com muito mais lógico pautado no concreto. Penso que os primeiros anos de vida são os que as coisas são mais pensadas e questionadas porque há necessidade de conhecer e entender o mundo ao redor. Sendo assim, são deixadas para traz, pelos responsáveis, coisas que podem faezr diferença no desenvolvimento das crianças. “São pequenos atos que compõem uma situação dramática, mas são insuperáveis” (CORTELLA. 2000. P.151).

A infância, portanto, apresenta a fase da vida que está em desenvolvimento, é o início do processo do pensar, disposta a aderir à educação e cultura que lhes és dada – muitas vezes com a intenção de ser uma pessoa melhor no futuro, dada por aquele que depende, “seu guiador”. A infância é a base para a construção do conhecimento, logo se deve tratar essa fase com cuidado, sabendo escolher seus primeiros textos, uma vez que os primeiros momentos dela serão levados para o sempre – por isso pensar-se na infância como possibilidade porque depende de sua educação para poder ser um bom cidadão e ser justo diante da sociedade.

Aqueles que negassem às crianças (e qualquer ser humano) a capacidade de pensar – ainda que o façam revestidos de sofisticada cientificidade – é porque previamente tem constituído uma imagem do pensamento autoritário, hierarquizado, que exclui o que depois qualificarão de incapazes (KOHAN. 2003. P.250).

A escola é o ambiente para a educação. É nela que encontramos ou deveríamos encontrar a estrutura para uma boa educação. As pessoas fazem associação da escola como sendo o lugar da criança. Isto porque representa uma formação profissional (futuramente), inserindo-se no mercado de trabalho e ocupando um bom status na sociedade.

Penso que na escola o aluno deve aprender a lidar com várias situações, deve ouvir, falar e principalmente fazer por si próprio. É necessário que a escola pelo menos minimize o preconceito existente hoje, por exemplo, com os obesos que tem crescidos na população atual, e também com aqueles enraizados, como  o preconceito com os negros, pois exemplo.

Algumas escolas condenam os alunos. Isso é um crime! Pois isto tende a afastar o aluno de fazer perguntas, ter participações voluntárias em trabalho de classe, de até mesmo achar que não sabe de nada e receio de produzir algo, não atendendo aquilo que a escola deve propor. Deve avaliar o aluno, e não avaliar na contagem de acertos, em teste e / ou provas, mas sim “identificar problemas e facilidades na relação ensino / aprendizagem do modo de reorientar o processo pedagógico” (CORTELLA. 2000. P.143). “Portanto, desde crianças que devem aplicar-se à ciência do cálculo e da geometria e de todas os estudos que hão de proceder e da dialética, fazendo que não sugam contrafeito este plano de aprendizado” (PLATÃO. 2000. P.234).

 

Política e Educação

A crise da educação tem sido inerente à vida nacional porque ainda não atingimos ainda patamares mínimos de uma justiça social compatível com a riqueza produzida pelo país e usufruída por uma minoria (CORTELLA. 2000. P.09).

A educação está aliada a idéia de desenvolvimento. No Brasil, por exemplo, fala-se muito que só haverá um país melhor, desenvolvido, se houver um forte investimento na área educacional. Logo percebemos que a educação representa pelo menos para os brasileiros, uma vida futura melhor e também uma boa política futura melhor.

O descaso político com a educação faz requerer muito mais da escola – de seus dirigentes, docentes e até mesmo os discentes – para que a educação aconteça. Inexistindo políticas para que a educação fortaleça seus ideais e inexistindo também recursos materiais, pessoais, financeiros dificulta as atividades educativas, pois há “depauperação do instrumental didático-pedagógico nas unidades escolares (reduzindo a eficácia da prática educativa)” (CORTELLA. 2000. P.12). Por fim desinteressando a todos envolvidos: pais, professores e alunos.

Assim sendo, penso que educar passa a ser orientar para os mais diversos caminhos e/ou áreas do conhecimento; é realizar reflexões sobre o conhecimento, não impor somente o que está em livros didáticos ou que um ou outro autor afirmou como verdade; é fazer com que todos os sujeitos tragam reflexão – uma vez que uns não o buscam por se mostrarem óbvios pelos nossos sentidos. “Além de colocar as crianças em ação e manipulação de materiais, deve-se também levá-los a “ tomar consciência” da ação, o que implicaria uma escola que não as fizesse  somente escutar, mas também as colocasse em situação de fazer e de falar” (GHIRALDELLI JR. 2003. p.20).

É educar especialmente para todas as crianças, levando em consideração sua condição econômica, não exigindo dela o que não pode dar; fazer elevação de problemas e não fingir que eles não existem; é aproximar o estudo da vida cotidiana e não o fazer entender que a educação é um mundo apartado do cotidiano; é educar de forma agradável, não forçando os alunos as práticas pedagógicas, para que seja produtivo o conhecimento, para que haja pessoas mais justas, fazendo políticas sociais mais justas e desenvolver para todos.

Fazendo das palavras de Lorrosa as minhas: “a educação é, em suma, a obra de um pensamento calculador de uma ação técnica, em que se trata de conseguir um produto real mediante a intervenção calculada num processo concebido como um campo de possibilidades” (LARROSA. 2003. P.35).

 

Educadores e Conhecimento.

O educador deve reconhecer a contemplação da verdade, fazer sair do desconhecido para o conhecido, saber reconhecer o que antes não era visto e compartilhar o que sabe com s que pouco sabem de modo que o que diz seja importante para quem destinará, pois  se não houver interesse por parte do destinatário, nada do que dirá valerá algo; é, portanto refletir sobre as práticas, transmitir o estudo com mais perfeição possível; é também restaurar a infância; é conduzir os novos lugares através de leituras, é executar a dialética para as essências das coisas.

Em sala de aula, devem existir cuidados peculiares. São necessidades do aluno que devem ser percebidas. Necessidade do educador que deve estar do lado de fora  – da sala de aula – se não existir relação com suas próprias práticas pedagógicas. E fazer, ou saber-fazer, educar os alunos entendendo as suas necessidades e que estão aí com suas “mentes abertas” para “pegar” as informações que o educador irá passar minimizando, o educador, os erros e de maneira com que ele entenda – e para ele entender o educador deve está preparado.

A tarefa do educador não é vasculhar familiares, não é se interessar por sua própria infância. Ninguém se interessa por isso. Ninguém digno de alguma coisa se interessa por sua infância. A tarefa é outra, tornar-se através do ato de ensinar, ir em direção à infância do mundo e restaurar esta infância. Eis as tarefas da educação (KOHAN. 2003. P.254).

Contudo é pertinente conhecer a vida dos alunos para melhor avaliar com suas limitações. O educador além de gostar do que faz, deve estar preparado para educar as crianças diferentes, com a vida e condições econômicas diferente. São necessários que se conheçam bem todos os alunos para não cometer pedagocídio.

A forma de reprovar os alunos não da à impressão de que o professor é muito bom e inteligente porque os alunos não adquiriram todo o conhecimento apresentado por ele. Não verdade não existe relação nenhuma. Penso que seus conhecimentos são limitados, que podem ainda aprender muito em sala de aula. Pensar que “ser inteligente não é não errar, é saber como aproveitar e lidar bem com os erros” (CORTELLA. 2000).

Estamos em constantes transformações, e que a partir disso o conhecimento passa a ser diferenciado. Conscientizar que o domínio de conhecimento é de grande importância para que os educadores e que deve transmiti-los da melhor maneira possível, escolhendo um bom método. Com a indicação de Mário Cortella: “o melhor método é aquele que propuser a melhor aproximação como objeto, isto é, aquele quer propiciar a mais completa consecução da finalidade” (CORTELLA. 2000. P.111).

Nos dias atuais a ciência é vista como verdade absoluta quase que divina. Ela representa o conhecimento total e induvidoso, em especial por aqueles que não dominam conhecimento científico.

O conhecimento, objeto da nossa atividade, não pode, no entanto, ser reduzido à sua mobilidade científica, pois, apesar de ela estar mais direta e extensamente presente em nossas ações profissionais cotidianas, outras mobilidades (como o conhecimento científico, o religioso, o afetivo, etc.) também o estão (CORTELLA. 2000. P.21).

            É importante que o educador passe a relativizar o conhecimento para o aluno não e detenha ao conhecimento científico. “O conhecimento é fruto da convenção, isto é, de acordos circunstâncias que não necessariamente representam à única possibilidade de intervenção da realidade” (CORTELLA. 2000. p.104). Em algumas viagens que fazemos, por exemplo, conhecemos outras culturas, detendo assim conhecimentos. Logo se deve relativizar até o que parece ser mais estável. Explicar que o conhecimento é diferente em épocas porque as condições para que se pensar em tais situações eram diferentes, não afirmar que um determinado conhecimento anterior é falso – sem outras determinações para tal –, pois era verdadeiro para a época em que se acreditava. Como diz Platão:

         Por conseguinte, meu excelente amigo, não eduque as crianças ao estudo da violência, mas a brincar, a fim de que ficares mais habilitado a descobrir as tendências naturais de cada um (PLATÃO. 2001. P.234).

É pertinente saber que o conhecimento é ilimitado, muito ainda para aprender, todos os agentes da educação podem muito aprender, em especial os docentes; no entanto deverá ter relação de respeito por todos sem restrições. O educador além de contribuir para a formação dos alunados contribui também para a sua formação continuada.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A filosofia é importante para a educação. Ela contribui para uma compreensão crítica, um pensamento crítico, para todo o processo educativo, bem como para as práticas pedagógicas, o comportamento do educador, a estrutura escolar, o conhecimento a ser transmitido, etc. se faz presente a medida que se questiona sobre os objetivos da escola e dos professores. É relativizar os conhecimentos. Compreender o presente. Assim sendo, a relação filosofia / educação contribui para entender melhor o mundo e a educação.

 

 BIBLIOGRAFIAS

CHAUÍ, M.: Para que Filosofia? In: ________Convite à Filosofia. São Paulo: Editora Ática S.A. 1999, p. 9 – 18.

CORTELLA, Mário Sérgio. A escola e o conhecimento: fundamentos epistemológicos e políticos. 3ed. São Paulo: Cortez, 2000.

DELEUZE, Gilles e GUATTARI, Félix: Assim pois a questão... In: ________O que é filosofia? Tradução de Bento Prado Jr. E Alberto Alonso Muñoz. – Rio de Janeiro: Ed. 34, 1992.

GHIRALDELLI JR., Paulo: Pedagogia e Infância. In: ________O que é Pedagogia. Sãp Paulo: Brasiliense, 2004.

KOHAN, Walter Omar: O mito pedagógico grego. In: ________Infância. Entre Educação e Filosofia. Belo Horizonte: Autêntica, 2003.

________: Da maioridade à minoridade. In: ________ Infância. Entre Educação e Filosofia. Belo Horizonte: Autêntica, 2003.

LORROSA, Jorge: Imagens do educar. In: ________ Pedagogia Profana: danças, piruetas e mascarados. Belo Horizonte: Autêntica, 2003.

________: O enigma da infância. In: ________ Pedagogia Profana: danças, piruetas e mascarados. Belo Horizonte: Autêntica, 2003.

LUCKESI, Cipriano Carlos: Filosofia, exercício do filosofar e prática educativa. Em Aberto Brasília. Ano 9, n.45, jan – mar 1999.

MENDOÇA, Eduardo Prado: As idéias que movem o mundo. In: ________ O mundo precisa de filosofia. Ed. Rio de Janeiro: Agir, 1991.

PINTO, Álvaro Vieira: A necessidade da Compreensão Filosófica da Pesquisa Científica. In: ________Ciência e existência: problemas filosóficos da pesquisa científica. Ed. Paz e Terra S/A, Rio de Jameiro, 1985.

PLATÃO. Livro VII. In: ________ A República. Tradução de Pietro Nassati. São Paulo. Editora Martin Claret, 2001.

________. Livro VII – Leis e Epínomis. In: ________Diálogos. Tradução de Carlos Alberto Nunes. Belém, PA: Universidade Federal do Pará, 1980.

SOARES, Raimunda Lucena: Filosofia da educação: fundamentos e práxis. In: ________Filosofia da Educação: limites e possibilidades. Belém – PA: UFPA, 1999. (Dissertação de Mestrado).

 

 

 

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